segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

“Senhorita Justiça”

Deixo este MONÓLOGO de V, onde ele simula um diálogo com a Justiça:

“Olá, formosa dama. Linda noite não? Perdoe-me a interrupção talvez a senhorita pretendesse passear... apenas desfrutar a paisagem. Não importa, creio que é chegado o momento de uma breve conversa. Ah, eu me esqueci de que não fomos apresentados. Eu não tenho um nome, mas pode me chamar de V. Madame justiça... Este é V. V... esta é madame justiça... Olá madame justiça. "Boa noite, V." Pronto, agora já nos conhecemos, para ser sincero, outrora fui um admirador seu. Até imagino o que está pensando "Ó pobre rapaz, tem uma queda por mim, uma paixão juvenil." Perdoe-me mas não é este o caso. Eu dizia a meu pai. “Quem é aquela moça?” E ele respondia. “É a madame justiça.”
Ao que eu replicava "como é bela."Eu a admirava, apesar da distância. Ainda criança, ao passar na rua admirava sua beleza. Por favor não pense se tratar apenas de atração física, eu a amava como pessoa, como ideal. Isso foi há muito tempo, agora confesso que há outra..."O que, que vergonha V, traindo-me com uma meretriz de lábios pintados e sorriso vulgar!" Eu madame? Permita-me uma correção. Foi sua INFIDELIDADE que me arremessou aos braços dela!Ahá, ficou surpresa, não, pensou que eu não sabia de suas escapadelas? Enganou-se, eu SEI de tudo. Na verdade, não me surpreendi quando soube que você FLERTAVA com homens de uniforme. "UNIFORME? E-eu, não sei do que está falando, sempre foi você, V o único em minha vi..."MENTIROSA! MERETRIZ! Ousa negar que se deixou envolver por ele, com suas braçadeiras e botas?...Ah! O gato comeu sua língua? Foi o que pensei. Muito bem, a verdade foi revelada, você não é mais MINHA justiça. É a dele. Recebeu outro em sua cama. Faça bom proveito de seu novo amante. "Snif! Snif! Q-quem é ela? Como se chama".Seu nome é ANARQUIA e ela me ensinou mais como amante do que você supõe. Com ela aprendi que não há sentido na justiça sem LIBERDADE. É honesta, não faz promessa e nem deixa de cumpri-las como você. Eu costumava me indagar porque você nunca me olhou nos olhos.
AGORA eu sei.Por isso adeus cara dama...Nossa separação não me entristece uma vez que não é mais a mulher que amei outrora. Eis um ultimo presente que deixo a teus pés....As chamas da liberdade que adorável. Quanta justeza minha preciosa anarquia... Ó beldade, até hoje te desconhecia.”


A pergunta de hoje é: A justiça é mesmo uma MERETRIZ que se vende a quem pode mais? Dá para acreditar ainda na justiça, mesmo depois de várias demonstrações de sua fragilidade e sua fácil manipulação dos próprios legisladores?